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Consciência ambiental cresce na região, mas mobilização coletiva ainda é limitada, aponta pesquisa de opinião pública realizada pela UNIFAL-MG

Levantamento feito em Poços de Caldas e Varginha aponta descompasso entre preocupação com o clima e participação social

Atualizado em 26/03/2026 18:46

Fotomontagem com foto de Poços de Caldas e foto de Varginha. (Reprodução: Acervo Setur-MG/Sérgio Mourão e Acervo Varginha em Fotos/Beto Menali)

Uma pesquisa de opinião pública realizada pela UNIFAL-MG em 2025 nos municípios de Poços de Caldas-MG e Varginha-MG revela que a população demonstra elevada preocupação com o meio ambiente e com os impactos das mudanças climáticas, mas ainda encontra dificuldades para transformar essa consciência em ações coletivas de proteção ambiental.

O estudo Atitudes e ações pró-ambientais em Poços de Caldas-MG e Varginha-MG (2025) contou com financiamento da FAPEMIG e foi desenvolvido pelo grupo de pesquisa OIKOS, da Universidade, do qual participam discentes de pós-graduação e graduação da UNIFAL-MG e de outras instituições.

José Roberto Porto de Andrade Jr. – professor coordenador da pesquisa. (Foto: Reprodução)

Quem coordenou os trabalhos foi o professor José Roberto Porto de Andrade Jr., do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA). Ao todo, foram realizadas 800 entrevistas entre agosto e dezembro de 2025: 400 em cada município, com foco na população urbana acima de 16 anos. O grau de confiança é de 95% e margem de erro de 4,9%.

Segundo o relatório, os dados indicam que a maioria da população das duas cidades está preocupada com o meio ambiente e reconhece os efeitos do aquecimento global no cotidiano. Mais de 75% dos entrevistados acreditam que as mudanças climáticas podem prejudicar suas vidas e de suas famílias.

Para o coordenador da pesquisa, o principal achado está justamente na contradição entre percepção e engajamento. “A pesquisa identificou uma crescente preocupação ambiental climática nas populações das nossas regiões e uma crescente consciência da gravidade dos problemas climáticos e do impacto dos problemas climáticos na vida cotidiana das pessoas. Por outro lado, também identificou alguns problemas e sobretudo dificuldades das nossas populações regionais em converter essas preocupações em práticas efetivas de proteção da natureza, sobretudo quando a gente olha para as práticas de esfera pública”, aponta.

José Roberto Andrade Jr. chama a atenção para os índices de participação em ações coletivas, como manifestações, petições e audiências públicas, segundo os quais, são baixos e não acompanham o nível de preocupação declarado pela população. “Os índices de participação popular são baixíssimos, incondizentes com o grau elevado de preocupação que as populações manifestam em relação aos temas ambientais”, diz.

Ações ambientais concentradas no cotidiano individual

(Fonte: Reprodução/Sumário Executivo)

Um dado relevante do levantamento diz respeito às práticas pró-ambientais fortemente concentradas na esfera privada. A maioria dos entrevistados afirma adotar comportamentos como economizar água e separar o lixo para reciclagem, ambos com índices superiores a 80% e 90%.

Já as ações coletivas apresentam adesão bem menor. Mesmo a prática mais frequente como, por exemplo, votar em candidatos com propostas ambientais, atinge apenas cerca de metade da população. O coordenador da pesquisa comenta que esse padrão revela uma tendência mais ampla.

“Os comportamentos pró-ambientais estão muito mais ligados à esfera privada, ao consumo, do que à esfera pública. As práticas de maior adesão chegam a mais de 90%, enquanto as de esfera pública não atingem nem metade da população”, enfatiza, informando que é uma tendência regional que também se manifesta nacional e internacionalmente.

Mineração de terras raras divide opiniões

Outro tema abordado na pesquisa foi o da mineração de terras raras, especialmente relevante para a região. Os resultados mostram diferenças entre os municípios.

Em Poços de Caldas, 65% da população conhece ou já ouviu falar sobre o tema e em Varginha, é um tema desconhecido por dois terços da população e conhecido por um terço.

Entre os que conhecem o assunto, predomina uma postura cautelosa ou contrária à atividade. Em Poços de Caldas, a opinião majoritária de que a mineração não deve ocorrer independentemente do impacto ambiental. Já em Varginha, prevalece a ideia de que ela só deve ocorrer se o impacto ambiental for pequeno.

“Nas duas cidades, a gente tem um apoio popular muito pequeno, menor que 5%, à ocorrência da mineração de terras raras, caso o impacto ambiental seja grande”, aponta.

(Fonte: Reprodução/Sumário Executivo)

Desconfiança em movimentos ambientalistas chama atenção

O nível de confiança nos movimentos ambientalistas também é um resultado considerado preocupante, uma vez que a maioria dos entrevistados declarou confiar pouco ou nada nessas organizações. Segundo o pesquisador, esse dado foi uma surpresa para o grupo.

“As respostas predominantes são negativas. Esse é um tema que precisa ser melhor entendido”, comenta.

Para o coordenador do levantamento, como os movimentos ambientais estão à frente dos processos políticos de disputa pela preservação da natureza, demandam apoio e participação popular para que as suas pautas sejam bem encaminhadas e vitoriosas.

“Se a gente tem uma população que não confia no movimento ambientalista, a gente vai ter um movimento ambientalista enfraquecido, que não vai conseguir se impor diante do poder econômico e não vai conseguir converter os seus pleitos de proteção da natureza em decisões políticas efetivas”, lamenta.

As redes sociais, sites e televisão são as principais fontes de informação sobre temas ambientais, utilizadas por grande parte da população. As conversas sobre o tema ocorrem principalmente entre familiares, amigos e colegas de trabalho. Apesar disso, o acesso à informação ainda não se traduz, na mesma proporção, em mobilização social.

Pesquisa será debatida em evento no campus Varginha

Os resultados do estudo serão apresentados e debatidos no dia 31 de março, das 19h às 21h, no auditório do campus Varginha da UNIFAL-MG, à Avenida Celina Ferreira Ottoni, 4000, no bairro Padre Vitor.

A expectativa é aprofundar a análise dos dados e ampliar o debate sobre o papel da sociedade e das instituições no enfrentamento da crise ambiental. Saiba mais aqui

Nas próximas semanas, o Jornal UNIFAL-MG irá divulgar outros resultados da pesquisa.

Acesse o Sumário Executivo do levantamento.

Os microdados estão disponíveis para consulta pública e podem ser solicitados ao coordenador, pelo e-mail jose.junior@unifal-mg.edu.br.

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