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Estudo que identifica desafios da biblioteca de Alfenas na formação de leitores na primeira infância ganha repercussão em revista científica

Artigo é fruto de um projeto de iniciação científica voluntária desenvolvido no curso de Letras – Licenciatura em Língua Portuguesa da UNIFAL-MG

Atualizado em 09/04/2026 11:34

Biblioteca Pública Municipal Dr. João Januário de Magalhães de Alfenas-MG. (Foto: Arquivo/Júlia Ramos)

Nos primeiros seis anos de vida, o contato com livros e narrativas pode moldar o desenvolvimento simbólico, afetivo, linguístico, histórico e social de uma criança. Foi essa premissa que motivou a acadêmica Júlia Aparecida Dias Ramos, do curso de Letras – Licenciatura em Língua Portuguesa da UNIFAL-MG, a investigar de que forma a Biblioteca Pública Municipal Dr. João Januário de Magalhães, a única de Alfenas, contribui para a formação de leitores na primeira infância.

Flaviane Carvalho – professora/orientadora do estudo e Júlia Ramos – acadêmica de Letras – Licenciatura em Língua Portuguesa e autora do trabalho. (Foto: Arquivo/Flaviane Carvalho)

A pesquisa foi orientada pela professora Flaviane Faria Carvalho, do Departamento de Letras do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade, e ganhou repercussão na edição de março da Revista Leitura – periódico de qualis A3 organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Linguística e Literatura da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Intitulado Biblioteca pública e formação leitora na primeira infância: um estudo de caso do município de Alfenas-MG, o artigo é fruto de um projeto de iniciação científica voluntária conduzido entre agosto de 2024 e agosto de 2025.

Os resultados revelaram desafios, como fragilidades estruturais, ausência de recursos inclusivos, falta de capacitação específica dos profissionais e descontinuidade nas ações de incentivo à leitura.

“O estudo reforça a necessidade de políticas públicas mais efetivas para garantir o acesso à literatura desde os primeiros anos de vida”, conta a acadêmica, que adotou a abordagem qualitativa para mapear o objeto de estudo: visitou a biblioteca, observou o espaço físico, aplicou formulário aos funcionários em diálogos presenciais e analisou o acervo e as práticas de mediação leitora voltadas a crianças de 0 a 6 anos.

No artigo, as pesquisadoras mostram que o cenário de Alfenas não é um caso isolado. Entre 2015 e 2020, o Brasil perdeu 764 bibliotecas públicas, passando de 6.057 para 5.293 unidades, e Minas Gerais figura entre os estados mais afetados.

Na única biblioteca pública do município, os problemas se traduzem em dados concretos como o fato de não haver capacitação para funcionário mediar leitura com crianças de 0 a 6 anos, espaço infantil reduzido a duas mesas e quatro cadeiras, acervo infantil sem livros em braile ou com audiodescrição, e ações de incentivo à leitura restritas a datas comemorativas e visitas escolares esporádicas.

Espaço interno da biblioteca com estantes e mesas infantis. (Foto: Reprodução/Artigo)

Para a orientadora, os resultados apontam para uma transformação necessária no próprio caráter do espaço. “Os resultados dessa pesquisa sinalizam como é crucial transformar nossa biblioteca municipal em um espaço lúdico, interativo, aconchegante e inclusivo”, afirma a professora Flaviane Carvalho.

“Só assim conseguiremos criar condições para que os pequenos estabeleçam vínculo afetivo com ela, por meio de leituras mediadas, atividades culturais, e estratégias de preservação e difusão da história e da identidade de nossa comunidade”, completa a docente que é também coordenadora do projeto de extensão Laboratório de Estudos Editoriais.

Segundo ela, o desafio da biblioteca municipal se resume a uma escolha: “É preciso torná-la viva, em vez de obsoleta.”

Júlia Ramos vê no estudo uma dupla contribuição. Do ponto de vista social, a pesquisa reforça a biblioteca pública como espaço essencial para a democratização da leitura e para a formação cultural, social e cognitiva das crianças. “Ao analisar uma realidade local, o trabalho amplia o debate sobre políticas públicas de leitura e suas implicações no contexto municipal”, explica.

Do ponto de vista acadêmico, a publicação em periódico científico é, para ela, evidência do que a iniciação científica pode produzir. “A universidade pública atua na produção de conhecimento que dialoga diretamente com as demandas da comunidade, especialmente nas áreas de literatura, educação infantil e cultura”, afirma.

Confira detalhes do estudo no artigo neste link 

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