Notícias

Home > Notícias

Mudanças no paladar e no olfato reduzem o prazer de comer e afetam a nutrição de pessoas idosas

Pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Longevidade da UNIFAL-MG aponta que alterações sensoriais na terceira idade impactam a saúde e desafiam a indústria de alimentos

  • Lice Pinho Gonçalves
Imagem ilustrativa. (Foto: Reprodução/Canva Education)

O envelhecimento é uma etapa natural do ciclo biológico, mas as alterações das funções fisiológicas, com o passar dos anos, representam um desafio para garantir a qualidade de vida durante essa fase. Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Longevidade (PPGNL) da UNIFAL-MG identificou uma relação entre as alterações no olfato e paladar de pessoas idosas com a diminuição do prazer na alimentação e na qualidade nutricional.

André Luiz Ferreira – acadêmico/autor da pesquisa. (Foto: Arquivo Pessoal)
Eric Batista Ferreira – professor/orientador da pesquisa. (Foto: Arquivo Pessoal)

A dissertação intitulada Alimentação para pessoa idosa: aspectos sensoriais provenientes de necessidades especiais, hábitos e prazeres do pesquisador André Luiz Ferreira, desenvolvida sob a orientação do professor Eric Batista Ferreira, do Instituto de Ciências Exatas (ICEx), buscou compreender de que forma as mudanças sensoriais associadas ao envelhecimento interferem no prazer de comer e na qualidade nutricional da dieta.

Para o desenvolvimento da pesquisa, foram realizadas visitas domiciliares a pessoas idosas cadastradas em Equipes de Saúde da Família (ESFs) no município de Jesuânia-MG. Ao todo, participaram do estudo 489 indivíduos com idade superior a 60 anos. A coleta de dados envolveu questionários elaborados pelos pesquisadores, além de perguntas sobre consumo alimentar adaptadas do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).

Segundo o orientador, os resultados mostram que, embora as alterações sensoriais no envelhecimento sejam amplamente reconhecidas pela literatura científica, o tema ainda é pouco explorado pela indústria de alimentos. “Os produtos comercializados para pessoas idosas não buscam garantir prazer ao se alimentar, atentando-se apenas aos quesitos nutricionais. Para uma vida longeva e de qualidade, deve-se garantir que o ato de se alimentar não seja apenas para se nutrir, mas também seja prazeroso e sem prejudicar as condições clínicas do envelhecimento”, enfatiza.

O professor também comenta que a redução da percepção dos sabores na população idosa pode desestimular o consumo de alimentos e levar ao uso excessivo de sal ou açúcar para realçar o gosto das refeições. Essa prática pode aumentar o risco de problemas de saúde, como hipertensão e diabetes, o que compromete ainda mais o bem-estar da pessoa idosa.

Além de contribuir para o debate acadêmico, o estudo chama a atenção da sociedade e do setor produtivo para a necessidade de desenvolver alimentos que conciliem valor nutricional e prazer sensorial, especialmente diante do crescimento da população com mais de 60 anos.

Como próximos passos, os pesquisadores pretendem replicar o estudo em cidades maiores, a fim de comparar os resultados, além de elaborar cartilhas com orientações e recomendações alimentares voltadas ao público idoso.

Quem tiver interesse em saber mais detalhes sobre o estudo, a dissertação de André Luiz Ferreira está disponível para acesso no Repositório Institucional da UNIFAL-MG, neste link.

Lice Pinho Gonçalves é acadêmica do curso de Gestão Ambiental e Sustentabilidade (EaD) na UNIFAL-MG, campus Poços de Caldas, e bolsista do projeto +Ciência, cuja proposta é fomentar a cultura institucional de divulgação científica e tecnológica. A iniciativa conta com o apoio da FAPEMIG por meio do Programa Comunicação Pública da Ciência e da Tecnologia para desenvolvimento. Lice é também técnica em Meio Ambiente, licenciada em Pedagogia e especialista em Neuropsicopedagogia e em Teatro e Educação. 

*Texto elaborado sob supervisão e orientação de Ana Carolina Araújo

+ Ciência - Portal de Divulgação Científica da UNIFAL-MG

VEJA TAMBÉM

UNIFAL-MG é contemplada com R$ 11,5 milhões para expansão de infraestrutura científica nas áreas biomolecular e ambiental

LAFF da UNIFAL-MG recebe Prêmio de Qualidade Nacional de Laboratórios de Antropologia Forense durante o 7º Congresso Nacional de Antropologia Forense

Pesquisa sobre controle da dor pós-operatória em cirurgias do pé e tornozelo conquista 1º lugar em congresso mineiro de ortopedia

Domínio de conceitos sobre finanças nem sempre se reflete nas escolhas de consumo e planejamento, aponta estudo

Projeto de extensão da UNIFAL-MG leva exame Preventivo de Câncer de Colo de Útero (PCCU) às mulheres privadas de liberdade em Alfenas

Campus Poços de Caldas recebe atividades da Caravana da Juventude Negra

Utilizamos cookies para personalizar anúncios e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.