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Pesquisadores da UNIFAL-MG depositam patente sobre substâncias ativas que mostram grande eficácia contra o SARS-COV-2

Atualizado em 11 de julho de 2024 às 08:49

A UNIFAL-MG acaba de depositar uma patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) referente à descoberta de duas substâncias ativas que mostram grande eficácia contra o SARS-COV-2. Iniciada em 2020, a pesquisa que resultou na descoberta fez parte de um esforço global para reavaliar moléculas existentes em bancos de substâncias em busca de novos tratamentos para a covid-19.

Grupo de pesquisa da UNIFAL-MG: Vanessa Silva Gontijo, professora visitante do Laboratório de Pesquisa em Química Medicinal; a doutoranda Graziella dos Reis Rosa Franco e o professor Cláudio Viegas Júnior. (Foto: Arquivo/Grupo de Pesquisa)

O trabalho foi liderado pelo professor e pesquisador Cláudio Viegas Júnior, do Instituto de Química (IQ) da Universidade. “Esta pesquisa foi iniciada como uma ideia de reinvestigar substâncias já existentes em nossa quimioteca”, conta.

Conforme o pesquisador, as duas moléculas descobertas e protegidas são frutos do projeto de pesquisa do doutorado da acadêmica Graziella dos Reis Rosa Franco, desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Química (PPGQ), cuja tese será defendida em julho. “As moléculas da pesquisa dela eram para outra finalidade e acabaram resultando nessa descoberta”, acrescenta o professor Cláudio Viegas.

Entre cerca de 120 moléculas da quimioteca do Laboratório de Pesquisa em Química Medicinal (PeQuiM) selecionadas para a investigação, duas substâncias com estrutura química análoga ao canabidiol se destacaram. Essas substâncias foram capazes de inibir o receptor da ECA-2, responsável pela entrada do SARS-COV-2 na célula, além de impedir o aumento de carga viral e ter efeito anti-inflamatório. “Temos, portanto, duas substâncias altamente inovadoras e que podem ser desenvolvidas como novos candidatos a fármacos efetivos e eficazes contra a covid-19”, destaca o líder da pesquisa.

O projeto contou com a colaboração de várias instituições e pesquisadores de renome. Em parceria com a professora Patrícia Dias Fernandes, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB/UFRJ), foram realizados estudos em animais expostos ao vírus SARS-COV-2 inativado, que desenvolviam um quadro de pneumonia similar ao da covid-19.

Além disso, estudos antivirais foram conduzidos em colaboração com a professora Jordana Alves Coelho dos Reis, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com o pesquisador Laurent Emmanuel Dardenne, do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e líder do Grupo de Modelagem Molecular de Sistemas Biológicos.

Segundo o professor Cláudio Viegas, a premissa que norteou o desenvolvimento da pesquisa foi o próprio interesse do grupo centrado em doenças inflamatórias crônicas, que incluem doenças neurodegenerativas, parasitárias e câncer. “Nossa hipótese inicial foi: ‘Será que as substâncias que planejamos e sintetizamos para terem efeitos múltiplos em doenças multifatoriais, incluindo atividade anti-inflamatória, poderiam ser eficazes contra o quadro inflamatório da covid-19?’”, detalha.

Junto ao Laboratório Nacional de Computação Científica, o pesquisador explica que foram realizados estudos computacionais em alvos conhecidos do SARS-COV-2, buscando identificar possíveis mecanismos de ação e potencial antiviral.

“Na UFMG, o grupo da professora Jordana conduziu uma série de estudos diretamente com o vírus SARS-COV-2, identificando que tínhamos de fato substâncias muito potentes capazes de impedir a infecção viral, além de bloquear sua replicação”, acrescenta.

Pesquisadoras da UFRJ que integraram o grupo: a professora Patrícia Ribeiro de Carvalho França e a professora Patrícia Dias Fernandes, líder da equipe daquela instituição. (Foto: Arquivo/Grupo de Pesquisa)
Equipe da UFMG: a pesquisadora Thaís de Fátima Silva Moraes, a professora Jordana Reis (líder do grupo) e os pesquisadores Erik Vinícius de Sousa Reis e Felipe Alves Clarindo. (Foto: Arquivo/Grupo de Pesquisa)
Grupo do Laboratório Nacional de Computação Científica: os pesquisadores Laurent Emmanuel Dardenne e Isabella Alvim Guedes. (Foto: Arquivo/Grupo de Pesquisa)

Com quatro anos de pesquisa intensa, a equipe agora celebra o depósito da patente no INPI, que assegura a autoria da descoberta e garante exclusividade para o desenvolvimento. “Nossa expectativa é que a inovação e a potencialidade da descoberta, aliadas à segurança jurídica da patente, possam atrair interesse do setor farmacêutico industrial para custear as etapas adicionais da fase pré-clínica”, afirma.

Para a professora Izabella Carneiro Bastos, diretora da Agência de Inovação e Empreendedorismo (I9) da Universidade, órgão responsável pela gestão da política de proteção da propriedade intelectual da Instituição, o depósito de patente do professor Cláudio Viegas é um marco importante para a Universidade e para a ciência brasileira.

“A inovação é fundamental para o avanço científico e tecnológico, e as patentes desempenham um papel crucial ao proteger as descobertas e incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias. O trabalho do professor Viegas exemplifica o impacto positivo que a pesquisa universitária pode ter na sociedade, especialmente em tempos de desafios globais como a pandemia de covid-19”, argumentou.

Os próximos passos envolvem a continuação dos estudos e a preparação de publicações científicas que deverão ocorrer ainda este ano. O objetivo é atrair investimentos para as etapas adicionais necessárias para transformar essas substâncias em um candidato a fármaco e, eventualmente, em um novo medicamento contra a covid-19.

A equipe da UNIFAL-MG está otimista com os resultados obtidos até agora e espera que essa descoberta traga não apenas benefícios científicos, mas também impactos significativos na saúde pública e na visibilidade da pesquisa acadêmica brasileira.

(Imagem em destaque: Registro da doutoranda Graziella dos Reis Rosa Franco no Laboratório de Pesquisa em Química Medicinal da UNIFAL-MG. Foi o projeto de pesquisa da acadêmica que iniciou a pesquisa com as moléculas descobertas e agora protegidas pelo INPI – Foto: Arquivo/Grupo de Pesquisa).

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