Proposta PET-Saúde Clima vai monitorar qualidade da água, mapear áreas de risco e desenvolver ações educativas nos territórios locais mais vulneráveis
- Destaque
- 14:11
Atualizado em 25/06/2026 14:42

O projeto PET-Saúde Clima: abordagem sindêmica frente às emergências climáticas e ambientais em Alfenas-MG da UNIFAL-MG, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Alfenas, foi aprovado pelo Ministério da Saúde e vai receber cerca de R$ 1,3 milhão nos próximos 24 meses para atuar sobre problemas locais de saúde que se agravam com as mudanças climáticas. Confira aqui
A proposta conquistou a 17ª colocação nacional entre 197 projetos inscritos de todo o Brasil na chamada do Edital nº 23/2026 da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), referente à 13ª edição do PET-Saúde Clima – Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde.
Com a aprovação, estão abertas as inscrições para participação no projeto. Os interessados podem se inscrever nos editais relacionados à proposta, por meio da página da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd): https://sistemas.unifal-mg.edu.br/app/graduacao/inscricaograduacao/formularioinscricao.php.
Projeto terá cinco grupos de aprendizagem e 64 bolsistas
A proposta aprovada contempla cinco Grupos de Aprendizagem Tutorial (GATs), estrutura máxima prevista pelo edital ministerial, envolvendo 64 bolsistas entre coordenação, tutores, preceptores, orientadores de serviço e estudantes.

Para o pró-reitor adjunto de Graduação, Ricardo Goes de Aguiar, o resultado representa uma conquista importante para a Universidade e para o município.
“O projeto se destaca pela qualidade técnica, pela articulação interprofissional e pelo compromisso com o fortalecimento da integração ensino-serviço-comunidade diante dos desafios impostos pelas emergências climáticas e ambientais”, disse.
Construído de forma colaborativa por docentes da UNIFAL-MG, o projeto conta com a participação de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Alfenas, a partir de edital de chamamento da Pró-Reitoria de Graduação para elaboração da proposta institucional.
A comissão definiu como coordenadora do projeto a professora Vânia Regina Bressan, da Escola de Enfermagem (EE), responsável pela condução das ações acadêmicas e pela integração com a rede de serviços de saúde.
Dengue, água contaminada e vulnerabilidade social estão entre os desafios

Segundo Vânia Bressan, o recorte local é o que estrutura a proposta. “Alfenas enfrenta um cenário preocupante de problemas de saúde que se intensificam com as mudanças climáticas: segundo dados da Vigilância Epidemiológica de Alfenas, foram quase 11 mil casos de dengue confirmados só em 2024, além de quatro nascentes urbanas interditadas em abril de 2026 por contaminação da água e um histórico de descarte inadequado de resíduos que alimenta esse ciclo”, aponta.
A coordenadora do projeto comenta que esses problemas não aparecem de forma isolada, uma vez que potencializam entre si e atingem com mais força as populações em situação de maior vulnerabilidade social.
“O projeto voltará o olhar também para o que costuma ficar invisível: as sequelas persistentes da dengue como fadiga, dores, alterações de memória, bem como as pessoas com transtorno de acumulação e os trabalhadores da reciclagem”, diz.
Formação em campo e integração com o SUS
Para a população, o projeto prevê benefícios como vigilância mais ativa nos bairros mais vulneráveis, acesso ampliado a cuidados com apoio dos serviços da própria UNIFAL-MG, como Farmácia Universitária, Ambulatório de Nutrição, Clínica de Fisioterapia, Clínica de Odontologia e Clínica de Especialidades Médiicas, além de ações de educação em saúde em linguagem acessível.
Outra entrega prevista é o painel digital “Clima e Saúde – Alfenas”, que deverá reunir informações para orientar decisões dos gestores municipais e contribuir com o planejamento das ações de saúde no território. “O projeto fortalecerá o SUS local ao mesmo tempo em que formará profissionais mais preparados para os desafios que as mudanças climáticas já estão impondo ao cotidiano das cidades brasileiras”, ressalta Vânia Bressan.
Para os estudantes, o PET-Saúde Clima promoverá uma formação que, segundo a coordenadora, vai muito além da sala de aula. As atividades serão desenvolvidas em campo, em articulação com agentes comunitários de saúde, agentes de combate a endemias e demais profissionais da rede municipal.
“Eles atuarão em campo junto a agentes comunitários de saúde e agentes de endemias”, diz Vânia Bressan. “Será aprender fazendo, em contato com a realidade da comunidade e com os serviços que compõem a Atenção Primária à Saúde do município”, acrescenta.
Entre as ações previstas estão o monitoramento da qualidade da água, o mapeamento georreferenciado de áreas de risco, o desenvolvimento de ações educativas nos territórios e a atuação interprofissional nas áreas de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Geografia, Medicina, Nutrição, Odontologia e Química.
Para Ricardo Aguiar, a aprovação do projeto reforça o papel da UNIFAL-MG na articulação entre ensino, serviço e comunidade. “A aprovação do PET-Saúde Clima reforça o compromisso da UNIFAL-MG com a formação de profissionais qualificados, a produção de conhecimento socialmente relevante e o fortalecimento das políticas públicas de saúde em articulação com as necessidades do território”, finaliza.
Docentes, estudantes, profissionais da rede de saúde e demais interessados na temática das mudanças climáticas, saúde coletiva e sustentabilidade podem acompanhar as publicações institucionais e participarem dos processos seletivos para bolsistas tutores (Edital nº 17/2026), bolsistas discentes (Edital nº 18/2026) e orientadores de serviço (Edital nº 19/2026).
Docentes têm até segunda, 29 de junho, para se inscreverem, e discentes e orientadores de serviço (trabalhadores da saúde envolvido com movimentos sociais) até terça-feira, 30 de junho.
Acesse os editais na seção “PET” na página da Prograd: https://www.unifal-mg.edu.br/graduacao/edital/.
Para se inscrever, acesse aqui






