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Projeto de pesquisa da UNIFAL-MG vai investigar a saúde mental de crianças e adolescentes de Alfenas com Transtorno do Espectro Autista

Proposta é fruto de cooperação com o Centro Municipal de Autismo de Alfenas e visa orientar decisões terapêuticas mais eficazes

Imagem ilustrativa. (Foto: Reprodução/Canva Education)

Pesquisadores da UNIFAL-MG oficializaram uma colaboração institucional junto ao Centro Municipal de Autismo (CMA) de Alfenas para desenvolver um projeto de pesquisa voltado à saúde mental de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) da cidade. Essa notícia coincide com o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) como forma de promover a compreensão sobre o autismo e reduzir a discriminação e o preconceito.

Registro da reunião realizada no Centro Municipal de Autismo, nesta terça-feira, 01/04. Na foto: Sônia Silva (coordenadora do CMA), Beatriz Paula (acadêmica de Medicina) e Renato Freitas (professor/orientador do projeto de pesquisa). (Foto: Arquivo/Renato Freitas)

O projeto será tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da acadêmica Beatriz Cruz de Paula, do curso de Medicina, e faz parte da Iniciação Científica a ser desenvolvida ao longo de 2025 pela discente, sob a orientação do professor Renato Leonardo de Freitas, pesquisador da área Neurociências Cognitiva Comportamental, do Instituto de Ciências da Natureza (ICN).

“A pesquisa tem o objetivo de trazer luz e elaborar a melhor tomada de decisão sobre as abordagens comportamentais dos autistas e possibilitar uma reabilitação eficaz”, explica o professor Renato Freitas. Segundo ele, o estudo propõe evidenciar o comprometimento neuropsiquiátrico em crianças e adolescentes com TEA assistidos no Centro Municipal do Autismo (CMA), bem como avaliar os aspectos da saúde mental, ansiedade e depressão.

Conforme o orientador do projeto, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento pelo qual se observa a presença de reações atípicas nos aspectos de comunicação, função social e comportamento, associada a comorbidades neuropsiquiátricas. “A saúde mental de indivíduos com TEA é afetada pelo isolamento social e desafios emocionais, o que contribui para o aumento da prevalência de ansiedade e depressão”, comenta.

Quanto às comorbidades neuropsiquiátricas, o professor aponta a existência de transtornos de humor, uma incidência elevada de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e epilepsia, que agravam os sintomas e dificultam o manejo clínico. Em relação à ansiedade e à depressão, Renato Freitas afirma: “Há evidências que demonstram que indivíduos com o TEA têm maior prevalência de desenvolver essas comorbidades, o que pode agravar ainda mais os sintomas centrais do transtorno e as comorbidades neuropsiquiátricas.”

Como surgiu a proposta

Registro da reunião realizada em 18 de março com a presença do professor Renato Freitas, da secretária da Educação de Alfenas, Thays Alexandre Sales, e da coordenadora do Centro Municipal de Autismo, Sônia Silva. (Foto: Arquivo/Renato Freitas)

A ideia do projeto de pesquisa surgiu em 2024, quando o professor Renato Freitas iniciou o contato com a Secretaria Municipal de Educação e o Centro Municipal de Autismo, a partir da identificação da necessidade de melhor entendimento sobre a saúde mental das crianças neurodivergentes. O professor está envolvido com o tema desde 2019, e além de manter contato constante com profissionais e reabilitadores, também presenciou de perto a criação do CMA.

“Em 2024, fiz formação e educação continuada para cerca de 90 profissionais da saúde e reabilitadores em Neurociência, Reabilitação e Inclusão. Desde então, percebemos que há necessidade de entendermos além do espectro, a saúde mental dos neurodivergentes, o quanto o TEA pode comprometer a saúde mental, porém como podemos entender, avaliar e tomar as decisões de reabilitação de indivíduos com TEA que tenham comorbidades neuropsiquiátricas e comprometimento também da saúde mental”, detalha.

Conforme o pesquisador, Transtornos do Neurodesenvolvimento (TND) integram um grupo heterogêneo de condições que se manifestam no início da infância e impactam  áreas como cognição, comportamento e comunicação. Entre os transtornos listados no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5), o TEA é uma das mais prevalentes e complexas, caracterizando-se por desafios persistentes na comunicação social, padrões comportamentais restritos e repetitivos, além de variações significativas na expressão e severidade dos sintomas. “O TEA é uma condição neuropsiquiátrica de origem multifatorial, cujas causas envolvem interações complexas entre fatores genéticos e ambientais”, comenta.

A pesquisa

Diversas ações estão previstas no projeto de pesquisa, aprovado pelo Comitê de Ética e com execução iniciada após a assinatura de um Termo de Anuência. As mães dos atendidos responderão aos questionários clínicos e sociodemográficos, como o QMPI, o SCARED e o Questionário de Depressão Infantil. Como contrapartida, estão previstas ações de escuta e acolhimento às famílias, incluindo rodas de conversa, uma caminhada de conscientização e um congresso temático, contribuindo para a mobilização da comunidade e a conscientização sobre o TEA.  Entre os objetivos planejados até o fim do ano estão: revisão bibliográfica, seleção de participantes, coleta e análise de dados. A coleta dos questionários será seguida pela avaliação dos resultados e pela redação do trabalho final.

“Ter a oportunidade de trabalhar com o professor Renato, juntamente à Secretaria de Saúde e ao CMA, tem sido uma experiência extremamente enriquecedora”, comenta a acadêmica Beatriz Paula. (Foto: Arquivo/Renato Freitas)

A acadêmica Beatriz Paula compartilha entusiasmo pela possibilidade de trabalhar com o tema. “Ter a oportunidade de trabalhar com o professor Renato, juntamente à Secretaria de Saúde e ao CMA, tem sido uma experiência extremamente enriquecedora, ainda mais por ser uma aérea que eu sempre tive muito interesse e paixão. Estou muito animada com o que vem por aí”, destaca a graduanda em Medicina.

Segundo a discente, que conduzirá o estudo, a colaboração entre a UNIFAL-MG, a Secretaria de Educação de Alfenas e o Centro Municipal de Autismo poderá contribuir para uma questão que necessita atenção e cuidado. “Evidenciar os comprometimentos neuropsiquiátricos e mentais de crianças neuroatípicas possibilitará maior entendimento acerca do TEA e suas comorbidades neuropsiquiátricas”, ressalta.

Consciência e inclusão

Ao comentar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, o professor Renato Freitas salienta o papel educativo e social do projeto de pesquisa, que corresponde à proposta da própria celebração da data de conscientização para reduzir o preconceito e a discriminação contra as pessoas com autismo. “Nesse dia, promovemos o conhecimento sobre o transtorno e as necessidades das pessoas no espectro, contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e acolhedora”, argumenta. “A data reforça a importância da garantia de direitos e do respeito à diversidade, fortalecendo a luta por mais acessibilidade e oportunidades para todos”, conclui.

Conheça o trabalho do Centro Municipal de Autismo de Alfenas

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