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UNIFAL-MG lança sistema que usa inteligência artificial para apoiar profissionais da saúde do SUS na tomada de decisão

Projeto SisAPEC marca nova etapa na inovação em saúde digital com a participação de 70 estudantes bolsistas do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde

Registo do evento de lançamento do SisAPEC – Sistema de Aplicação do Processo de Enfermagem no Cuidado e do PET‑TECHSUS – Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde. (Foto: Ivanei Salgado/Dicom)

“Sintam-se preparados para uma nova fase, uma nova etapa no cuidado. Essa é, para mim, a palavra-chave desta noite: cuidado”, disse o professor Alessandro Antônio da Costa Pereira, vice-reitor da UNIFAL-MG, no lançamento do SisAPEC – Sistema de Aplicação do Processo de Enfermagem no Cuidado e do PET‑TECHSUS – Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde. O evento PET‑TECHSUS & SisAPEC International Summit: Inovação e Transformação Digital no SUS ocorreu em 26 de agosto e contou com a presença de pró-reitores, representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e da comunidade acadêmica no auditório Leão de Faria, no campus sede da Universidade.

SisAPEC visa fortalecer o ecossistema de saúde digital no SUS por meio de um sistema pensado para apoiar os profissionais de saúde em todas as etapas do cuidado. (Foto: Ivanei Salgado/Dicom)

A plataforma SisAPEC é uma inovação desenvolvida por docentes e estudantes da UNIFAL-MG, sob a coordenação da professora Isabelle Cristinne Pinto Costa, da Escola de Enfermagem, com apoio de parceiros institucionais como a FAPEMIG, CNPq e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Segundo a idealizadora, a articulação que viabilizou este projeto foi construída de forma multiprofissional e intersetorial, partindo de um ciclo de reuniões técnicas entre Reitoria e Pró-Reitorias da UNIFAL-MG, Prefeitura/SMS de Alfenas, Ministério da Saúde, parceiros acadêmicos nacionais e internacionais e serviços do SUS (APS e hospital).

“Mapeamos as necessidades do território, pactuamos objetivos e governança, definimos papéis e fluxos, e cuidamos dos aspectos éticos, de proteção de dados e interoperabilidade”, conta. Desde o início, os cursos de Enfermagem, Biomedicina, Medicina, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição, Ciência da Computação, Administração e afins foram envolvidos nos Grupos de Aprendizagem Tutorial (GATs) e oficinas com desenho colaborativo.

Utilizando inteligência artificial, o projeto visa fortalecer o ecossistema de saúde digital no SUS por meio de um sistema pensado para apoiar os profissionais de saúde em todas as etapas do cuidado, desde a coleta de dados até a tomada de decisão clínica. Tal sistema oferece padronização, interoperabilidade com sistemas do SUS e sugestões automatizadas baseadas em evidências.

Para qualificar os estudantes e os profissionais do SUS para o uso de tecnologias digitais e ferramentas de inteligência artificial, foi proposto o PET-TECHSUS, o qual foi aprovado em edital do Ministério da Saúde. O programa terá a duração de 24 meses e contará com 70 discentes bolsistas de diferentes cursos como Enfermagem, Farmácia, Nutrição, Biomedicina, Medicina, Ciência da Computação, Administração Pública, Bacharelado Interdisciplinar de Ciência e Economia, Ciências Econômicas e Ciências Atuariais.

O PET-TECHSUS também envolverá sete tutores e sete coordenadores tutores, docentes da UNIFAL-MG, respectivamente dos cursos de Ciência da Computação e de cursos da Saúde, além dos chamados preceptores – profissionais de saúde vinculados aos serviços de saúde do SUS e orientadores de serviço, que são trabalhadores de saúde com representação na sociedade civil organizada.

Ciência e cuidado unidos pela inovação

Isabelle Costa – professora da Escola de Enfermagem e idealizadora do projeto. (Foto: Ivanei Salgado/Dicom)

Conforme a professora Isabelle Costa, a expectativa é que o projeto contribua para a criação de um living lab (laboratório vivo) universitário-serviço, com novas linhas de pesquisa e projetos cooperados, que possam fortalecer a formação cidadã e a melhoria contínua do cuidado.  “Para a UNIFAL-MG o que se espera é a consolidação como referência em inovação em saúde digital com impacto regional; para os acadêmicos e para as acadêmicas experiências reais de trabalho em equipe multiprofissional, desenvolvimento de competências digitais, clínicas e éticas, e maior integração ensino-pesquisa-extensão”, diz. “Para os serviços do SUS, esperamos contribuir para a qualificação de processos, apoio à tomada de decisão e produção de conhecimento aplicado”, acrescenta.

A professora Roberta Seron Sanches, pró-reitora adjunta de Graduação, destaca a inovação do projeto, bem como seu impacto social. “Trata-se de uma proposta que, pela própria temática, já possui caráter inovador. Possibilitará a articulação dos estudantes de diferentes cursos e áreas, inclusive dos campi de Alfenas e Varginha”, comenta.

Além de transformar práticas no SUS, a iniciativa amplia horizontes para experiências de internacionalização, já que conta com a parceria da Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, em uma cooperação que promete enriquecer a formação acadêmica e a pesquisa em saúde digital. “Proporcionará uma valiosa experiência no que diz respeito a aplicação de inovação nos serviços públicos de saúde, o que também representa relevante impacto social”, acrescenta a pró-reitora adjunta.

Integração entre ensino, pesquisa e extensão

No evento de lançamento, a professora Cristiane Aparecida Silveira Monteiro, diretora da Escola de Enfermagem, destacou o impacto do projeto para a Universidade e para o SUS. Segundo ela, a proposta multiprofissional e interdisciplinar representa um marco.

“Trata-se de um evento que trará inovação, que trará excelência no cuidado, além de ser um avanço para o conhecimento em saúde”, disse. “Nós que cremos que a ciência, aliada ao conhecimento aplicado, cumpre o seu papel na Universidade e na sociedade: dar melhor qualidade de vida e um melhor cuidado àquele paciente que está lá na ponta”, completou.

Representando a Pró-Reitoria de Graduação, o professor Wellington Ferreira Lima enfatizou a diversidade de áreas envolvidas e elogiou a integração de saberes. “É a primeira vez que vejo um projeto com 40% de participantes fora da área majoritária”, destacou. “O domínio das ferramentas não é uma coisa que vamos deixar a cargo dos colegas da Computação. Todos nós vamos ter que dominar ferramentas digitais nas nossas áreas e a Enfermagem já tem a Isabelle para puxar o barco.”

A professora Giovana de Fátima Lima Martins, pró-reitora adjunta de Extensão e Cultura, ressaltou que o projeto vai além da transformação digital. “Vocês fazem parte de um projeto que vai fazer a transformação na vida de pessoas”, comentou. “A Universidade tem pesquisas de excelência, mas quando tem um olhar para a sociedade, o impacto vai muito mais além”, salientou.

Evento contou com a participação do médico William Fernandes Luna, representante do Ministério da Saúde. (Foto: Ivanei Salgado/Dicom)

O representante da Coordenação-Geral de Integração Ensino-Serviço-Comunidade do Ministério da Saúde, o médico William Fernandes Luna, participou de forma remota do evento e destacou a relevância nacional do projeto. “Quero parabenizar muito pela construção e proposta da inteligência artificial nos cuidados de enfermagem. É nessa aproximação dos diferentes saberes que a gente pode construir um SUS mais forte.”

A integração da tríade universitária ensino-pesquisa-extensão foi enaltecida pelo pró-reitor adjunto de Pesquisa e Pós-Graduação, o professor Luiz Felipe Leomil Coelho. “É muito difícil às vezes conseguir integrar ensino, pesquisa e extensão de forma plena, dedicada e com resultados práticos. Este projeto realmente vai mudar a vida de quem participa.”

Fechando os pronunciamentos, o vice-reitor da UNIFAL-MG, o professor Alessandro Antônio Costa Pereira, destacou a interdisciplinaridade do projeto, oportunidade em que elogiou a presença marcante da Computação ao lado da Enfermagem, da Administração e de outras áreas do conhecimento, o que, segundo ele, simboliza os novos caminhos que a Universidade precisa trilhar. Também destacou o caráter formativo da iniciativa, que envolve um grande número de bolsistas e proporciona experiências que certamente transformarão a trajetória dos participantes. Em sua fala, não deixou de valorizar o Sistema Único de Saúde (SUS), definido como outra “palavra mágica da noite”.

“É de encher de orgulho, de arrepiar, quando lembramos do que o SUS fez na pandemia e continua fazendo, mesmo com todas as suas deficiências, que estão sendo corrigidas. O SUS é um programa inigualável e exemplar.”

Mesa de honra no lançamento foi composta pela professora Cristiane Monteiro (Escola de Enfermagem); pelo professor Wellington Lima (Pró-Reitoria de Graduação); pela rofessora Giovana Martins (Pró-Reitoria de Extensão e Cultura); pelo professor Luiz Felipe Coelho (Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação), e pelo professor Alessandro Costa (vice-reitor). (Fotos: Ivanei Salgado/Dicom)

Transformação Digital na Saúde

Convidada Tamara Macieira – professora da Universidade da Flórida (Estados Unidos), que ministrou a palestra “Transformação Digital na Saúde: o Poder dos Dados e da Inteligência Artificial para a Inovação”. (Foto: Ivanei Salgado/Dicom)

Durante o evento de lançamento, a professora Isabelle Costa relatou sobre a trajetória do desenvolvimento do SisAPEC. Vinda da Paraíba, a docente falou da transição da saudade em missão e do compromisso com o cuidado centrado no paciente.

O evento de lançamento do projeto contou ainda com a presença da pesquisadora convidada Tamara Macieira, professora da Universidade da Flórida, que falou sobre o tema Transformação Digital na Saúde: o Poder dos Dados e da Inteligência Artificial para a Inovação.

A convidada elogiou o projeto e defendeu o uso ético da inteligência artificial. “Vocês não serão substituídos pela IA, mas por profissionais da saúde que sabem usar a IA”, disse. “A IA está aqui para melhorar o cuidado que a gente presta, não para tirar nosso lugar.”

Desafios e oportunidades da internacionalização da pesquisa

Integrada à programação do PET-TECHSUS & SisAPEC International Summit, também foi realizada uma roda de conversa, no dia 27 de agosto, com estudantes dos cursos de Enfermagem e Ciência da Computação no auditório da Clínica de Especialidades Médicas da Unidade Educacional Santa Clara. Na oportunidade, a professora Tamara Macieira, da Universidade da Flórida, e o técnico-administrativo em educação Tiago Silveira, da UNIFAL-MG, compartilharam suas experiências acadêmicas no exterior e discutiram os desafios e oportunidades da internacionalização da pesquisa em saúde digital.

A professora Tamara Macieira (Universidade da Flórida) e o técnico-administrativo em educação Tiago Silveira, da UNIFAL-MG, compartilharam suas experiências acadêmicas no exterior com estudantes dos cursos de Enfermagem e Ciência da Computação. (Foto: Ana Carolina Araújo/Dicom)

Tiago Silveira, doutor pela Universidade da Calábria, na Itália, relatou os desafios e aprendizados de sua experiência internacional. Ele destacou as dificuldades iniciais de adaptação, como a barreira linguística e cultural, mas também a importância do crescimento pessoal e profissional proporcionado pelo período fora do país.

“Estudar no exterior é um desafio diário. A gente imagina que vai ter uma vida de europeu, mas a realidade é diferente: cada dia é uma luta, principalmente quando não se tem rede de apoio. É preciso resiliência para não desistir. Tive que reaprender o idioma, na prática, e enfrentar as barreiras culturais, mas a experiência foi transformadora.”

A professora Tamara Macieira explicou como sua pesquisa utiliza inteligência artificial para fortalecer a visibilidade da enfermagem e melhorar o cuidado em saúde.

“Minha pesquisa é muito focada na área de inteligência artificial aplicada à saúde, especialmente à enfermagem. Trabalho para dar visibilidade ao profissional por meio dos dados que documentamos como parte rotineira do cuidado, utilizando a IA para analisar essas informações e gerar novo conhecimento. Tenho colaborado com a professora Isabele no desenvolvimento de tecnologias que melhorem o processo de enfermagem, a documentação e, sobretudo, o cuidado em saúde, tanto no Brasil quanto internacionalmente.”

A convidada Tamara Macieira, professora e pesquisadora da Universidade da Flórida, foi recebida pelo vice-reitor, na tarde do dia 25 de agosto, no Gabinete da Reitoria, junto à professora Isabelle Costa e outros representantes institucionais (Fotos: Ivanei Salgado/Dicom)

Roda de conversa com estudantes dos cursos de Enfermagem e Ciência da Computação no auditório da Unidade Educacional Santa Clara trouxe reflexões sobre o tema “Trajetórias internacionais em tecnologia de saúde”. (Fotos: Ana Carolina Araújo/Dicom)

Para saber mais sobre o projeto SisAPEC, acesse aqui

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