{"id":3026,"date":"2024-10-21T13:32:21","date_gmt":"2024-10-21T16:32:21","guid":{"rendered":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/?p=3026"},"modified":"2024-10-21T13:32:23","modified_gmt":"2024-10-21T16:32:23","slug":"pesquisas-eleitorais-sao-confiaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/pesquisas-eleitorais-sao-confiaveis\/","title":{"rendered":"Pesquisas eleitorais s\u00e3o confi\u00e1veis?"},"content":{"rendered":"\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/category\/artigo\/\">Artigos<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/2024\/10\/17\/\"><time>17\/10\/2024<\/time><\/a><\/li>\n\n\n\n<li>13:36<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Por Thiago Ant\u00f4nio de Oliveira S\u00e1<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Pesquisas eleitorais s\u00e3o confi\u00e1veis? Como confiar em investiga\u00e7\u00f5es sujeitas a, no m\u00ednimo, seis conjuntos de riscos \u00e0 sua fidedignidade? Vejamos.<\/p>\n\n\n\n<p>1- A enquete por amostragem est\u00e1 sujeita a erro amostral. Felizmente, ele pode ser conhecido e minimizado. Nos levantamentos de boca de urna, a margem de erro adotada pelos institutos de pesquisa geralmente \u00e9 de 2%, a um n\u00edvel de confian\u00e7a de 95%, medidas de incerteza que asseguram previs\u00f5es confi\u00e1veis (Agresti, 2012; Barbetta, 2007; Laville; Dionne, 1999; Triola, 2005). Trataremos delas detidamente em outro artigo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>2- A pesquisa eleitoral \u00e9 uma fotografia do momento, um term\u00f4metro do clima pol\u00edtico na semana da coleta. Nada informa sobre movimentos futuros dos eleitores. Assim, a pesquisa n\u00e3o pode ser responsabilizada por eventuais diferen\u00e7as encontradas entre os achados de cada rodada. O comportamento do eleitorado pode ser influenciado por fatos novos e indeterminados (esc\u00e2ndalos, den\u00fancias,&nbsp;<em>fake news<\/em>, etc). Enquetes mapeiam cen\u00e1rios, n\u00e3o adivinham o futuro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>3- Eleitores, \u00e0s vezes, mentem. Que o digam candidatos a vereadores derrotados, cujos \u00e1udios de decep\u00e7\u00e3o e indigna\u00e7\u00e3o viralizam no zap. Eleitores mentem na entrevista porque 1) sentem-se embara\u00e7ados em admitir que ignoram o tema, 2) querem colaborar com o trabalho da entrevistadora, 3) sentem estar respondendo a uma prova e, portanto, tentam \u201cacertar\u201d as respostas, 4) t\u00eam vergonha do seu candidato, 5) sentem-se amea\u00e7ados, em contextos radicalizados e 6) querem sabotar a pesquisa (negacionismo passivo\/agressivo). Mentiras s\u00e3o contabiliz\u00e1veis porque indetect\u00e1veis. Como na fotografia: contamos quantos sorriem para a c\u00e2mera, ignorando quantos sorrisos eram sinceros ou meros clich\u00eas fotog\u00eanicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>4- H\u00e1 eleitores indecisos cujo posicionamento pode decidir uma elei\u00e7\u00e3o. S\u00e3o uma inc\u00f3gnita para as estrat\u00e9gias partid\u00e1rias. H\u00e1 evid\u00eancias de que tendem a se posicionar em torno das candidaturas mais competitivas, para \u201cn\u00e3o se desperdi\u00e7ar o voto\u201d. De todo modo, ao longo da campanha, seguem um mist\u00e9rio a ser desvendado (e persuadido) pelas coaliz\u00f5es, candidatos e marqueteiros (Almeida, 2008; 2009).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>5- A pesquisa est\u00e1 sujeita a vieses involunt\u00e1rios. S\u00f3 entrevistamos quem aceita participar da pesquisa. Mesmo estratificando-se a amostra por g\u00eanero, faixa et\u00e1ria, escolaridade e bairro, para que ela reflita a composi\u00e7\u00e3o do eleitorado geral, devemos aceitar o fato de que nem todos os eleitores t\u00eam iguais chances de serem entrevistados. Muitas pessoas n\u00e3o aceitam participar da pesquisa porque temem ser golpe, receiam que seja uma estrat\u00e9gia de venda, est\u00e3o com pressa ou indispostas. Al\u00e9m disso, algumas faixas s\u00e3o inalcan\u00e7\u00e1veis, como moradores de bairros nobres e condom\u00ednios fechados. Em entrevistas por telefone, o formul\u00e1rio s\u00f3 \u00e9 preenchido por quem atendeu \u00e0 chamada, algo cada vez mais raro atualmente, e, ainda, aceitou responder \u00e0s perguntas. Como se v\u00ea, a amostragem probabil\u00edstica, nestes casos, \u00e9 uma utopia. No entanto, deve ser buscada obstinadamente, mesmo que para diminuir os vieses, apenas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>6- Como toda atividade humana, a enquete eleitoral est\u00e1 sujeita a conting\u00eancias: pesquisadores faltam ao trabalho, a chuva atrapalha o trabalho de campo, fact\u00f3ides viralizam em plena aplica\u00e7\u00e3o do formul\u00e1rio, alguns logradouros s\u00e3o de dif\u00eccil acesso, oligarquias locais intimidam eleitores, etc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de tantos riscos, desafios e obst\u00e1culos, por que dever\u00edamos confiar nelas?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As tabelas abaixo foram elaboradas a partir de duas pesquisas de boca-de-urna e da apura\u00e7\u00e3o dos votos para o primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es municipais em Belo Horizonte-MG e S\u00e3o Paulo-SP, em 2024.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/tab_artigo_eleicoes1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/tab_artigo_eleicoes1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-111615\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/tab_artigo_eleicoes2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/tab_artigo_eleicoes2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-111616\"\/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Os dados falam por si. Observe-se, primeiramente, a converg\u00eancia entre ambas institui\u00e7\u00f5es. Supondo-se que ambas estivessem erradas, como explicar que erram na mesma dire\u00e7\u00e3o, de maneira an\u00e1loga e sistem\u00e1tica? Em segundo lugar, como ignorar que&nbsp;<em>ambas<\/em>&nbsp;<em>investiga\u00e7\u00f5es convergem com o resultado das urnas<\/em>? Como negar que anteviram, com bastante precis\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o real dos votos? Como n\u00e3o reconhecer o potencial da enquete como instrumento para predizer ades\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplos como estes n\u00e3o faltam. Trouxemos dois, apenas, para ilustrar. Portanto, respondendo \u00e0 pergunta que d\u00e1 nome a este artigo, SIM, as pesquisas eleitorais s\u00e3o confi\u00e1veis. Obviamente, devem ser lidas com parcim\u00f4nia, como term\u00f4metros e n\u00e3o como bolas de cristal, pois realizam-se em meio a circunst\u00e2ncias cientificamente incontorn\u00e1veis, mesmo com toda a per\u00edcia das institui\u00e7\u00f5es encarregadas. Seus resultados, condizentes com a apura\u00e7\u00e3o dos votos, ilustram o poder da t\u00e9cnica, o valor da ci\u00eancia e a f\u00e9 na famosa \u201cdistribui\u00e7\u00e3o normal de probabilidades\u201d, de que falam os estat\u00edsticos. S\u00e3o cart\u00f5es de visita da boa Sociologia, da boa Ci\u00eancia Pol\u00edtica e dos m\u00e9todos quantitativos nas Ci\u00eancias Sociais. Desvendar a realidade nunca foi tarefa f\u00e1cil. Mas a gente tenta e chega bem perto. Viva a forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>AGRESTI, Alan. M\u00e9todos estat\u00edsticos para as ci\u00eancias sociais. 4. ed. Porto Alegre: Penso, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>ALMEIDA, Alberto Carlos. A cabe\u00e7a do eleitor: estrat\u00e9gia de campanha, pesquisa e vit\u00f3ria eleitoral. Rio de Janeiro: Record, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>ALMEIDA, Alberto Carlos. Erros nas pesquisas eleitorais e de opini\u00e3o. Rio de Janeiro : Record, , 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>BARBETTA, Pedro Alberto. Estat\u00edstica aplicada \u00e0s ci\u00eancias sociais. 7. ed. rev Florian\u00f3polis: Ed. da UFSC, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>G1 \u2013 O portal de not\u00edcias da Globo. ([s.d.]). G1. Recuperado 14 de outubro de 2024, de&nbsp;<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/\">https:\/\/g1.globo.com\/<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A constru\u00e7\u00e3o do saber: manual de metodologia da pesquisa em ci\u00eancias humanas. Porto Alegre; BH: Artmed: Ed. da UFMG, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>TRIOLA, Mario F. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 estat\u00edstica. 9.ed Rio de Janeiro, RJ: LTC, 2005.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/thiago-sa_box.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-111617\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><br><br><strong>Thiago Ant\u00f4nio de Oliveira S\u00e1<\/strong>&nbsp;\u00e9 professor do curso de Ci\u00eancias Sociais do Instituto de Ci\u00eancias Humanas e Letras (ICHL) da UNIFAL-MG. Dedica-se \u00e0s \u00e1reas de Teoria Sociol\u00f3gica<em>,&nbsp;<\/em>Sociologia da Educa\u00e7\u00e3o e Pensamento Social Brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas eleitorais s\u00e3o confi\u00e1veis? Como confiar em investiga\u00e7\u00f5es sujeitas a, no m\u00ednimo, seis conjuntos de riscos \u00e0 sua fidedignidade? Vejamos. 1- A enquete por amostragem est\u00e1 sujeita a erro amostral. Felizmente, ele pode ser conhecido e minimizado. 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