{"id":8189,"date":"2025-11-14T08:11:46","date_gmt":"2025-11-14T11:11:46","guid":{"rendered":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/?p=8189"},"modified":"2025-11-14T08:11:49","modified_gmt":"2025-11-14T11:11:49","slug":"estudo-da-unifal-mg-investiga-percepcao-social-sobre-mineracao-de-uranio-em-caldas-e-propoe-revisao-de-politicas-ambientais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/estudo-da-unifal-mg-investiga-percepcao-social-sobre-mineracao-de-uranio-em-caldas-e-propoe-revisao-de-politicas-ambientais\/","title":{"rendered":"Estudo da UNIFAL-MG investiga percep\u00e7\u00e3o social sobre minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio em Caldas e prop\u00f5e revis\u00e3o de pol\u00edticas ambientais"},"content":{"rendered":"\n<p>Pesquisa ouviu moradores da zona urbana e rural e foi premiada no 22\u00ba Congresso Nacional de Meio Ambiente<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/category\/ciencia\/\">+Ci\u00eancia<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/category\/destaque\/\">Destaque<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/2025\/11\/13\/\"><time>13\/11\/2025<\/time><\/a><\/li>\n\n\n\n<li>15:46<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/author\/luciana-resendeunifal-mg-edu-br\/\">Luciana Costa de Resende Vilela<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Design-sem-nome-20-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-123350\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Pesquisa da UNIFAL-MG refor\u00e7a papel da universidade p\u00fablica na defesa da justi\u00e7a socioambiental (Imagem: arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.unifal-mg.edu.br\/ppgca\/wp-content\/uploads\/sites\/188\/2025\/03\/TESE_VIVIAN_VERSAO_PPGCA_21ago2024.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo conduzido no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Ambientais da UNIFAL-MG investigou a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de Caldas (MG) sobre os impactos ambientais, sociais e de sa\u00fade causados pela antiga minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio no munic\u00edpio<\/a>. A pesquisa evidenciou sentimentos como medo do c\u00e2ncer, desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade da \u00e1gua e um sil\u00eancio social constru\u00eddo ao longo de d\u00e9cadas, mesmo diante da conviv\u00eancia com rejeitos radioativos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright is-resized\" id=\"attachment_123354\"><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-13-at-11.06.29.jpeg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-13-at-11.06.29-599x800.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-123354\" style=\"width:217px;height:auto\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">V\u00edvian Ariane de Oliveira Costa, egressa do doutorado em Ci\u00eancias Ambientais da UNIFAL-MG (Foto: arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi realizada por V\u00edvian Ariane de Oliveira Costa, egressa do doutorado no PPGCA, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Luciana Botezelli, docente do Instituto de Ci\u00eancia e Tecnologia (ICT), com coorienta\u00e7\u00e3o do professor Luiz Felipe Silva, da Universidade Federal de Itajub\u00e1 (UNIFEI).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre julho e novembro de 2023, foram aplicados question\u00e1rios com perguntas mistas a 365 moradores com mais de 40 anos, das zonas urbana e rural de Caldas. A amostra foi estatisticamente calculada para representar a popula\u00e7\u00e3o adulta da cidade. A an\u00e1lise foi feita por meio de t\u00e9cnicas quali-quantitativas, utilizando o software IRaMuTeQ, que permitiu interpretar padr\u00f5es de percep\u00e7\u00e3o e aspectos subjetivos dos discursos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pesquisa nasceu do desejo de ouvir as vozes da popula\u00e7\u00e3o e compreender como se expressam as experi\u00eancias de vulnerabilidade, resist\u00eancia e esperan\u00e7a em um territ\u00f3rio que, mais do que palco de explora\u00e7\u00e3o mineral, \u00e9 espa\u00e7o de vida, mem\u00f3ria e busca por justi\u00e7a ambiental\u201d, explica V\u00edvian. Ela destaca que o caso de Caldas, apesar de mencionado em relat\u00f3rios t\u00e9cnicos e reportagens pontuais, ainda carecia de estudos que dessem centralidade \u00e0s percep\u00e7\u00f5es da comunidade local.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft is-resized\" id=\"attachment_123355\"><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-13-at-11.07.09.jpeg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-13-at-11.07.09.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-123355\" style=\"width:158px;height:auto\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Luciana Botezelli, docente orientadora do estudo (Foto: arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo a autora, as respostas revelaram um cen\u00e1rio marcado pela desinforma\u00e7\u00e3o, medo e sensa\u00e7\u00e3o de abandono institucional. \u201cEmbora muitos moradores reconhecessem os riscos ambientais, poucos demonstraram consci\u00eancia cr\u00edtica sobre os impactos socioambientais da minera\u00e7\u00e3o. O medo do c\u00e2ncer e a desconfian\u00e7a quanto \u00e0 qualidade da \u00e1gua apareceram como temas recorrentes\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos pontos mais sens\u00edveis enfrentados durante a pesquisa foi a escuta direta da dor e da incerteza da popula\u00e7\u00e3o. \u201cO maior desafio foi lidar eticamente com a dor das pessoas que convivem com os efeitos de uma contamina\u00e7\u00e3o potencial e hist\u00f3rica, mas pouco debatida publicamente. Muitos entrevistados demonstraram desconfian\u00e7a ou cansa\u00e7o diante de promessas de monitoramento que nunca se concretizaram\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Justi\u00e7a ambiental e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright is-resized\" id=\"attachment_123353\"><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-13-at-11.20.51.jpeg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-13-at-11.20.51-592x800.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-123353\" style=\"width:324px;height:auto\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Localiza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de estudo, em Caldas, MG.<br>Fonte: Adaptada pelos autores de IBGE (2021)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A mina de ur\u00e2nio de Caldas operou entre 1982 e 1995, sob responsabilidade das Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil (INB), e deixou passivos ambientais complexos, como uma cava a c\u00e9u aberto, uma f\u00e1brica de beneficiamento desativada e uma barragem de rejeitos radioativos. Hoje, a mesma regi\u00e3o est\u00e1 na mira de empreendimentos interessados na explora\u00e7\u00e3o de terras raras, minerais estrat\u00e9gicos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pesquisa aponta a necessidade urgente de revis\u00e3o das pol\u00edticas de fiscaliza\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o de risco, bem como de inclus\u00e3o efetiva das comunidades nos processos decis\u00f3rios\u201d, alerta V\u00edvian. Segundo ela, os resultados refor\u00e7am que a gest\u00e3o ambiental n\u00e3o pode se limitar a par\u00e2metros t\u00e9cnicos: \u00e9 preciso integrar dimens\u00f5es sociais, de sa\u00fade p\u00fablica e de participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora Luciana Botezelli, o trabalho revela a import\u00e2ncia de ampliar os debates sobre justi\u00e7a socioambiental a partir da escuta das comunidades. \u201cOs dados mostram que h\u00e1 um d\u00e9ficit de informa\u00e7\u00e3o ambiental e uma naturaliza\u00e7\u00e3o do risco, o que exige um esfor\u00e7o de pol\u00edticas p\u00fablicas mais sens\u00edveis \u00e0s realidades locais. O estudo de Caldas mostra como a ci\u00eancia pode contribuir para uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica justa, que n\u00e3o reproduza as desigualdades do passado\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignleft is-resized\" id=\"attachment_123351\"><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-13-at-11.23.06.jpeg\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-13-at-11.23.06-800x600.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-123351\" style=\"width:347px;height:auto\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Momento da premia\u00e7\u00e3o no 22\u00ba CNMA em Po\u00e7os de Caldas (Fonte: site do CNMA)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Reconhecimento nacional&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi premiado com o segundo lugar entre os melhores trabalhos do 22\u00ba Congresso Nacional de Meio Ambiente (CNMA 2025), realizado entre 7 e 10 de outubro, no Palace Casino, em Po\u00e7os de Caldas. A pesquisa far\u00e1 parte do e-book oficial do evento, que re\u00fane as produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de maior destaque.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA premia\u00e7\u00e3o simboliza o reconhecimento de um trabalho comprometido com a realidade local e com a fun\u00e7\u00e3o social da universidade p\u00fablica. Representa o fortalecimento da extens\u00e3o cr\u00edtica e transformadora, que conecta pesquisa cient\u00edfica \u00e0 defesa dos direitos humanos e ambientais\u201d, afirma V\u00edvian.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright is-resized\" id=\"attachment_123352\"><a href=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-13-at-11.23.06-1.jpeg\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornal.unifal-mg.edu.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/WhatsApp-Image-2025-11-13-at-11.23.06-1-450x800.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-123352\" style=\"width:188px;height:auto\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A pesquisa recebeu o segundo lugar entre os melhores trabalhos apresentados no 22\u00ba Congresso Nacional de Meio Ambiente (CNMA 2025) (Foto: arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Luciana Botezelli tamb\u00e9m valoriza o impacto do reconhecimento. \u201c\u00c9 uma conquista importante para o PPGCA e para a UNIFAL-MG, pois mostra o potencial de uma ci\u00eancia engajada, feita com e para as pessoas. \u00c9 a universidade p\u00fablica contribuindo diretamente para o debate sobre direitos, ambiente e futuro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00edvian destaca que o estudo apresentado no congresso \u00e9 parte de uma investiga\u00e7\u00e3o mais ampla e que h\u00e1 planos para expandir a pesquisa. \u201cH\u00e1 interesse em aprofundar o di\u00e1logo com movimentos locais e pesquisadores de outras \u00e1reas, construindo uma abordagem interdisciplinar que articule ci\u00eancia, pol\u00edtica e cidadania ambiental\u201d, conclui.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa ouviu moradores da zona urbana e rural e foi premiada no 22\u00ba Congresso Nacional de Meio Ambiente Um&nbsp;estudo conduzido no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Ambientais da UNIFAL-MG investigou a percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de Caldas (MG) sobre os impactos ambientais, sociais e de sa\u00fade causados pela antiga minera\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio no munic\u00edpio. A pesquisa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8190,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-8189","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-unifal"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8189"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8189\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8190"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8189"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8189"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/facepevirtual.org.br\/facepe\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}