Notícias

Home > Notícias

Nanopartículas são investigadas para melhorar resposta de plantas à seca e a outros desafios no campo

Estudo com participação da UNIFAL-MG integra nanotecnologia verde, bioinsumos e agricultura circular em busca de alternativas mais sustentáveis ao manejo agrícola

Equipe da UNIFAL-MG trabalha com nanopartículas de quitosana, que funciona como uma espécie de veículo em escala microscópica, capaz de carregar compostos de interesse e favorecer sua entrega às plantas. (Foto: Dicom/UNIFAL-MG)

Na busca por alternativas mais sustentáveis para o manejo agrícola, uma pesquisa com participação da UNIFAL-MG investiga o uso da nanobiotecnologia para produzir nanopartículas capazes de auxiliar no desenvolvimento das plantas e melhorar sua resposta a condições adversas, como seca, pragas e doenças. A proposta busca contribuir para reduzir impactos ambientais e diminuir a dependência de insumos químicos convencionais na agricultura. 

Parte da equipe de pesquisadores da UNIFAL-MG: Thiago Souza, professor do ICN; Ana Clara Silva, doutoranda em Ciências Ambientais/servidora técnica de laboratório; Patrícia Cristina Santos, mestranda em Ciências Ambientais, e Plínio Santos Filho, professor do ICB e subcoordenador da pesquisa. (Foto: Dicom/UNIFAL-MG)

O projeto Nanobiotecnologia como ferramenta para a agricultura circular é coordenado pelo professor Juliano Elvis de Oliveira, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), e tem como subcoordenador o professor Plínio Rodrigues dos Santos Filho, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da UNIFAL-MG. Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), com investimento de R$ 1.556.715,00, a pesquisa conta ainda com a parceria da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Embrapa Instrumentação, além dos pesquisadores da UNIFAL-MG Thiago Corrêa de Souza, docente do  Instituto de Ciências da Natureza (ICN), e Antônio Rodrigues da Cunha Neto, professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA).

O diferencial da proposta está no uso de estratégias menos agressivas ao ambiente, com base em nanotecnologia verde, bioinsumos e princípios da agricultura circular. Em vez de depender apenas de produtos químicos sintéticos, a pesquisa busca integrar biotecnologia, nanotecnologia e reaproveitamento de recursos.

“A nossa hipótese é que, ao integrar a nanobiotecnologia com práticas de agricultura circular, será possível desenvolver soluções de manejo mais eficientes, economicamente viáveis e ambientalmente amigáveis, contribuindo para a segurança alimentar e a sustentabilidade do setor agrícola”, explica o professor Plínio Santos Filho.

O problema que a pesquisa quer resolver

A estratégia central do projeto é utilizar microrganismos como bactérias e fungos benéficos para produzir nanopartículas metálicas por meio de processos naturais, sem a necessidade de reagentes químicos tóxicos. (Foto: Dicom/UNIFAL-MG)

Conforme Plínio Santos Filho, a estratégia central do projeto é utilizar microrganismos como bactérias e fungos benéficos para produzir nanopartículas metálicas por meio de processos naturais, sem a necessidade de reagentes químicos tóxicos.

“As nanopartículas de prata, zinco e cobre têm demonstrado propriedades antimicrobianas e inseticidas notáveis, podendo ser utilizadas para tratar sementes, proteger plantas e desinfetar o solo de maneira segura e sustentável”, comenta.

A aplicação prática deste método envolve o cultivo de microrganismos benéficos em biorreatores especialmente projetados para maximizar a produção de nanopartículas metálicas. “Esses biorreatores permitem um controle rigoroso das condições de cultivo, como temperatura, pH e concentração de nutrientes, garantindo a eficiência e a reprodutibilidade do processo de biossíntese”, explica.

Na frente conduzida pela UNIFAL-MG, o foco está em outro tipo de material: as nanopartículas de quitosana, um polímero derivado da quitina, substância presente nos exoesqueletos de crustáceos. Nesse caso, a quitosana funciona como uma espécie de veículo em escala microscópica, capaz de carregar compostos de interesse e favorecer sua entrega às plantas. 

Plantas mais resilientes à seca

Um dos principais objetivos da linha de pesquisa da UNIFAL-MG é melhorar o desempenho das plantas em condições adversas, especialmente a falta de água. Um dos focos das pesquisas locais é o milho, cultura de grande relevância econômica para o Brasil e para a região Sul de Minas, desenvolvida em parceria com o professor Thiago Souza.

“A planta no ambiente está exposta a todo tipo de situação. Ou não chove, ou chove muito, ou tem pragas infestando a cultura. Ela não tem para onde correr. Então melhorar o desempenho da planta é um desafio contínuo”, pondera o professor Plínio Santos Filho.

Além do milho, o grupo também utiliza outros modelos vegetais, como o girassol, para testar os efeitos das nanopartículas em diferentes situações.

Na UNIFAL-MG, a pesquisa é parte de uma trajetória contínua do grupo, que há anos investiga os efeitos da quitosana e de outros compostos bioativos no desenvolvimento vegetal. “A quitosana a gente já estudou sozinha. Agora a gente está usando ela como veículo para as nanopartículas, tentando aprimorar. Vem tudo na sequência de outros projetos”, resume.

Atualmente, parte dos resultados está relacionada à produção das nanopartículas, enquanto os ensaios com plantas começam a ser desenvolvidos. A partir dessa etapa, a equipe pretende avaliar a eficácia das partículas em diferentes modelos vegetais e condições de cultivo. 

Produção na propriedade rural

Uma das apostas de longo prazo do projeto é o conceito de produção on farm, expressão utilizada para se referir à possibilidade de produção de determinados insumos diretamente na propriedade rural. Essa abordagem já é utilizada no Brasil com agentes biológicos, como microrganismos empregados no manejo agrícola.

“Já tem fazenda no Brasil onde o produtor fabrica o próprio biológico numa pequena biofábrica e usa na lavoura. Isso é um avanço muito grande. A gente está nessa seara também”, destaca o professor.

No caso das nanopartículas, a aplicação dessa lógica ainda depende do avanço dos estudos, da definição de protocolos e da validação das condições de produção e uso. A expectativa é que, futuramente, esse tipo de estratégia possa reduzir custos logísticos, diminuir etapas de transporte e armazenamento e aproximar tecnologias sustentáveis do setor produtivo.

Além dos professores Plínio Santos Filho e Thiago Souza, a equipe da Universidade no projeto conta também com as discentes de pós-graduação: Ana Clara Cruz da Silva, doutoranda do PPGCA, que é também servidora técnica de laboratório; Isis Fernanda Perna, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBiotec); e Patrícia Cristina de Oliveira dos Santos, mestranda do PPGCA.

VEJA TAMBÉM

UNIFAL-MG é contemplada com R$ 11,5 milhões para expansão de infraestrutura científica nas áreas biomolecular e ambiental

LAFF da UNIFAL-MG recebe Prêmio de Qualidade Nacional de Laboratórios de Antropologia Forense durante o 7º Congresso Nacional de Antropologia Forense

Pesquisa sobre controle da dor pós-operatória em cirurgias do pé e tornozelo conquista 1º lugar em congresso mineiro de ortopedia

Domínio de conceitos sobre finanças nem sempre se reflete nas escolhas de consumo e planejamento, aponta estudo

Projeto de extensão da UNIFAL-MG leva exame Preventivo de Câncer de Colo de Útero (PCCU) às mulheres privadas de liberdade em Alfenas

Campus Poços de Caldas recebe atividades da Caravana da Juventude Negra

Utilizamos cookies para personalizar anúncios e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.